Resenha: A Culpa é das Estrelas

Você já gostou tanto de um livro que falar sobre ele é praticamente impossível?

Impossível porque você quer protegê-lo, porque você tem receio que alguém mal-interprete o que você está dizendo, porque se a pessoa não tiver pelo livro o mesmo respeito que você, esquece!, uma amizade pode estar em jogo...

É assim que estou me sentindo sobre "A Culpa é das Estrelas".
É assim que Hazel Grace se sente sobre "Uma Aflição Imperial".

Mas eu vou começar do começo e tentar falar de "A Culpa é das Estrelas" mesmo assim.

Título: A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Avaliação:
Contracapa:
Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.

A Culpa é das Estrelas conta a história de Hazel Grace, uma menina de 16 anos e meio. Hazel passa quase todo o dia em sua casa, junto com sua mãe. Ela não frequenta mais o colégio, porque terminou os estudos via supletivo para jovens, estudando em casa. Agora Hazel frequenta a faculdade comunitária durante alguns dias da semana. E de vez em quando Hazel frequenta um grupo de jovens do porão de uma igreja, lugar que ela chama de Coração Literal de Jesus.

Hazel é uma menina doce, que tem um ótimo relacionamento com os pais. Sua mãe é sua melhor amiga. Hazel não mantém muitos amigos da época do colégio. Na verdade, Kaitlyn é a única pessoa do antigo colégio com quem Hazel ainda conversa, e normalmente o foco da conversa é sempre Kaitlyn. É difícil manter uma amizade com uma pessoa assim... - No grupo de jovens Hazel conversa com Isaac, mas eles não são muito próximos. Ninguém ali é muito próximo...

Assim, o segundo melhor amigo de Hazel se chama Peter Von Houten. Peter é escritor e não faz idéia que Hazel existe. Ele é autor do livro predileto de Hazel, o Uma Aflição Imperial. Mas como a Hazel é essa menina incrível e generosa, por mais que ela não queria compartir seu livro predileto com ninguém, ela compartilha conosco, que estamos lendo a história dela.

"Juntadora treplicadora envenenadora ocultadora reveladora.
Repare nela, subindo e descendo, levando tudo consigo"
"O que é?" - Anna perguntou
"A água". - respondeu o holandês. - "Bem, e as horas".

Uma Aflição Imperial, ou UAI, como a Hazel carinhosamente o chama, conta a história de uma menina chamada Anna. Anna tem aproximadamente 6 anos, mas Hazel se identifica muito com ela. Hazel nos conta que UAI é um daqueles livros que você lê e relê, que você pega da metade só para entrar no meio de uma cena, que você divaga sobre o futuro das personagens depois da última página. Daqueles livros que você retira frases e as guarda consigo. E é por isso que Peter Von Houten é o segundo melhor amigo de Hazel, porque ele escreveu o livro predileto dela.

Um dia, no grupo de jovens, Hazel conhece seu terceiro melhor amigo. Augustus Waters foi parar ali por um acaso, acompanhando o amigo Isaac que passava por um momento difícil. Por outro acaso Augustus e Hazel começam a conversar, e conversando se tornaram amigos. Coisa de destino, talvez... Conspiração do universo.

"Acredito que o universo quer ser notado".

Hazel e Augustus se tornam uma dupla. Fazem companhia um para o outro o tempo todo, passam todos os dias juntos. Quando Hazel apresenta o UAI para Augustus, bastante relutante, ela percebe que realmente pode confiar nele, pois vê que ele tem o mesmo respeito pelo livro que ela. Hazel e Augustus se completam e criam uma amizade forte que dia a dia se transforma em paixão, amor, carinho.

"Me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono:
gradativamente e de repente, de uma hora para outra".

O maior sonho de Hazel é saber o que acontece com as personagens de UAI depois da última página do livro. Ela tem consciência do destino de Anna, mas e a mãe da menina? E o Homem das Tulipas Holandês, como Hazel gosta de chamar o novo namorado da mãe de Anna? O que acontece com Sísifo, o hamster? Seria fácil saber o final de tudo isso se Peter Von Houten escrevesse uma continuação para UAI, ou se ele respondesse uma das várias cartas que Hazel já mandou pra ele, mas ele é do tipo de escritor incomunicável. Ele se mudou dos Estados Unidos para a Holanda depois que terminou de escrever Uma Aflição Imperial e nunca mais pôde ser contactado por nenhum fã.

Pelo menos era nisso que a Hazel acreditava, até que Augustus recebe um e-mail resposta de Peter Vou Houten, para outro e-mail que ele próprio enviou! Quer dizer, era só mandar um e-mail? Simples assim? Hazel decide mandar um e-mail também e para sua surpresa, ele não só a responde, mas a convida para ir até a Holanda. Ele não vai contar nada por e-mail, porque ele tem medo que ela possa utilizar as informações para uma continuação não autorizada de UAI, mas se ela for pessoalmente até a Holanda, ele ficará feliz de responder todas as perguntas que Hazel possa fazer sobre o livro.

Incrível! Brilhante! Fantástico! Hazel não poderia pedir por mais nada, poderia? Bem... poderia... afinal, como é que ela vai para a Holanda? Não é fácil viajar para outro país nas condições de Hazel.

...

Ah... eu não disse? Acho que deixei escapar este pequeno detalhe. Hazel é paciente terminal, tem câncer no pulmão.


John Green, Hazel Grace, Augustus Waters, tudo e qualquer coisa relacionada às 283 páginas que compõem A Culpa é das Estrelas merecem todos os cafezinhos disponíveis nesse mundo e no Outro, com O maiúsculo. Porém este blog só tem 5 cafezinhos pra dar, então vamos de 5 cafezinhos mesmo.

John, eu definitivamente leria até a sua lista de compras de supermercado. S2


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